domingo, 17 de junho de 2007


(Nessa época a moeda corrente tinha outro nome. Os valores em reais aqui especificados são proporcionais. Desde quando entrei no ramo de antiguidades a moeda mudou de nome várias vezes. Cruzeiro, Cruzeiro Novo, Cruzado, e finalmente Real. Houve um tempo em que um almoço custava Cr$ 30.000,00 – trinta mil cruzeiros. Hoje, com trinta mil reais dá para se montar um pequeno restaurante...) Passei a dedicar-me em tempo integral na compra de coisas para levar a feira.


DE DESENHISTA À COMERCIANTE

Meu escritório de desenhos ficava dentro de uma editora de livros, jornais e revistas maçônicas de um amigo meu, o Jair Calixto. Ele cedeu-me uma de suas salas gratuitamente em troca de eu atendê-lo com prioridade. Fazia-lhe muitos desenhos de logotipos, ilustrações, capas de livros, diagramações, mas também trabalhava para outras empresas...
Trabalhei para o Jair mais de dois anos... Porém, os negócios no Bexiga começaram a render mais, dar mais lucro, e aos poucos eu fui parando com os desenhos e o escritório passou a ser apenas meu depósito particular. Não demorou para que o Jair me chamasse para uma conversa... Afinal, eu era desenhista ou comerciante? Ele não estava gostando nada de ver sua sala de desenhos transformada em depósito de bugigangas e quinquilharias... Deu-me um prazo para eu decidir entre desenhar ou comercializar. E pediu-me para arranjar um outro lugar para guardar as minhas tralhas... Eu nem discuti o assunto. Na verdade, ele estava coberto de razões... E eu resolvi parar de vez com os desenhos e dedicar-me única e exclusivamente a feira do Bexiga.
Comecei a procurar um espaço para guardar meus apetrechos.

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