domingo, 17 de junho de 2007





MINHA PRIMEIRA COMPRA NO MASP

Realmente eu era um apreciador de tudo o que se relacionava com a arte. Um sonhador. Comprava todos os livros de arte baratos que eu via pela frente. Mas nunca sequer passou pela minha cabeça que um dia seria antiquário, dono de loja ou bancas em feiras de antiguidades. De vez em quando eu ia na feira de antiguidades do Masp e olhava fascinado aquelas maravilhas... Uma peça daquelas custava um salário inteiro meu, mas uma vez eu comprei uma chicarazinha japonesa estilo Satzuma, porem bicada e colada, contudo fui para casa todo feliz e empolgado e não parava de contemplá-la porque era muito bonita, cheia de carinhas de japoneses. Guardei essa chícara durante anos e acabei vendendo-a na feira do Bexiga, talvez por bem menos que eu paguei...

ARMANDO GAMELLAS, UM GRANDE ANTIQUÁRIO

Logo que o Masp inaugurou sua feira de antiguidades, um antiquário que era amigo meu na época, o Armando Gamellas, convidou-me para tomar conta de uma de suas quatro barracas. Eu recusei o convite pois teria que trabalhar todos os domingos e eu adorava ter o domingo livre para passear pelos museus e praças de São Paulo! Depois de alguns anos vi que fiz uma besteira. Devia ter aceito o convite. Se o fizesse teria mais chances de ser um grande antiquário posteriormente...
Quando eu ia visitar a casa do Armando Gamellas ficava admirando sua imensa coleção. Ele tinha de tudo em grandes quantidades. Dezenas de “budas” de todos os tipos e tamanhos, muitas tartarugas, enormes quantidades de porcelanas, marfins, ébanos, bronzes. Era um antiquário muito rico. Viajava constantemente pelo mundo todo em busca de peças raras. Esteve na África, Índia, Estados Unidos, França, Alemanha, Argentina, etc. Era um dos maiores conhecedores de tudo. Com ele aprendi muito depois que entrei no ramo. Quando eu ouvia ele falar no telefone sobre os preços das peças, milhares e milhares de dólares, eu achava que aquilo não era para “meu bico”. Nessa época eu trabalhava o mês inteiro para ganhar menos que mil dólares de salário, e só o meu aluguel consumia mais da metade desse dinheiro.
Ser antiquário, para mim, era o mesmo que desejar ser dono de um prédio na av. Paulista!

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