domingo, 17 de junho de 2007

O BAZAR DE TROCAS DA CLEMENTINA

Um dia eu ia andando a pé pela Av. Brigadeiro Luiz Antonio na altura do número mil e pouco quando dei de cara com uma galeria só de “brechós” e antiquários. Ficava próxima à rua Major Diogo, quase em frente ao extinto hotel Danúbio, do lado do Banco Itaú e em frente ao Unibanco. Mais precisamente no número 1.089. A dona dessa galeria chamava-se Clementina. Era uma senhora de aproximadamente cinqüenta anos, uma dama da alta sociedade que devido a problemas pessoais perdera toda sua fortuna e resolvera entrar para o ramo de antiguidades. Talvez começou vendendo suas peças antigas, quadros, jóias e acabou gostando tanto do assunto, como acontece com a maioria dos antiquários, que virou negociante. Essa senhora teve uma brilhante idéia. Alugou um galpão enorme e dividiu-o em vários boxes. Cerca de uns trinta mais ou menos. O da frente, que era o maior e cercado por uma grande vitrine que dava para a rua, era o dela. Nessa vitrine ela colocava suas melhores peças e jóias. Os outros boxes ela alugava para diversos comerciantes e colecionadores.
Eu nem sabia que existia algo desse tipo em São Paulo! Ao ver essa galeria eu entrei e pus-me a observar com espanto e admiração as peças ali expostas. Havia de tudo! Estatuetas de porcelana, bronzes, vidros, cristais, resinas, marmorites, marfinites, abajures, lustres, quadros... Coleções de chaveiros, canetas, lápis, cartões postais... Havia vasos de todos os tipos, pratarias, brinquedos, roupas usadas. Na verdade era um imenso brechó... Uma miniatura da feira do Bexiga.
Havia também eletrônicos, rádios velhos, televisões, toca-discos... Muitas dessas peças estavam cobertas de pó... Provavelmente estavam ali expostas a meses... Como eu era leigo no assunto, tudo me fascinava... Com o tempo, porém, fui aprendendo a discernir o comum do especial, o verdadeiro do falso, o original da imitação, e na verdade, nesse bazar da Clementina a maioria das peças eram réplicas e imitações baratas... Nada de verdadeiras antiguidades. Apenas objetos de adorno comuns, encontráveis em qualquer brechó... Contudo, no meio de tudo aquilo havia uma ou outra peça de valor, porém o preço que pediam era bem acima do valor real...
Os donos desses boxes faziam feiras todos os Domingos no Bexiga. Esses boxes além de serem suas lojas eram também seus depósitos. Por esses boxes passaram diversos antiquários e colecionadores que com o tempo tornaram-se bastante conhecidos no meio.
O bazar da Clementina era conhecido no Brasil inteiro e até fora do Brasil. Existia bem antes de existir a feira do Bexiga. Aliás, foi praticamente desse bazar que surgiu a feira do Bexiga. Ele era tão conhecido que já havia sido matéria de diversas reportagens em jornais, revistas, televisão, etc. A Clementina exibia uma lousa com colagens de diversas propagandas de seu bazar em jornais e revistas da época.
O ANTONIO MADIA

Depois de passear e observar atenciosamente todos os boxes do bazar da Clementina eu entrei num que era o maior de todos. Seu dono era o Antonio Madia. Um grande negociante que está ativo até hoje... Na época era um dos mais fortes do local. Indivíduo muito simpático, conversador e atencioso. Comecei a conversar com ele e logo ficamos amigos. Convidei-o para tomar um café no bar e aproveitei a oportunidade para perguntar-lhe como fazer para adquirir um espaço naquela galeria. Ele disse-me que conversaria com a Clementina e pediu-me para eu passar ali no dia seguinte, pois o expediente já estava terminando e logo o bazar seria fechado. Perguntou-me se eu tinha alguma coisa para vender e eu disse-lhe que sim. Ele quis ver de imediato e fomos para meu escritório. Lá ele separou algumas peças e após regatear um pouco no preço, acabou comprando-as. Ajudei-o a levá-las para seu carro e fomos ao bar tomar mais um café. Ele fumava muito...

MINHA PRIMEIRA LOJINHA

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